Com apenas duas temporadas, "Game of Thrones" parece já ter
conquistado uma legião considerável de fãs, que vai desde os
saudosistas do "Senhor dos Anéis" aos que até agora se conformavam
com um sitcom de vinte minutos, assim que se sentavam no
sofá.
Uma simples sinopse é enganadora e nada esclaredora, mas a melhor
maneira de explicar o universo "Game of Thrones" é a seguinte:
cinco reis, o trono de Westeros.
Ao contrário de várias séries actuais, é impossível compreender o
desenvolvimento de algumas das múltiplas histórias que se passam em
paralelo no espaço de 55 minutos, quando não a seguimos atentamente
desde o primeiro episódio. No entanto, é também impossível mudarmos
de canal.
A tagline de "Os Sopranos da Idade Média" tem razão de ser, e até
os mais cépticos já perceberam isso. E a verdade é que o clima é
semelhante: a comédia existe, se o nosso humor for negro o
suficiente (Tyrion Lannister oferece um pouco do característico
humor à "Dr.House") e o romance existe, mas sabemos sempre que é
sol de pouca dura. A intriga, a violência e o ambiente sombrio
dominam, como George Martin nos habituou nos livros na qual a série
se baseou.
O quelque chose da série não se deve só à capacidade imaginativa de
Martin e ao grande poder de concretização da HBO (que se
prontificou em desolvolver a língua dos Dothraki para ser usada na
série ou a fazer um genérico explicativo do reino de Westeros), mas
à necessidade de um substituto.
De qualquer forma, sendo Westeros dividido em Sete Reinos
(governados por um só Rei), o tempo de antena que tem que ser dado
a cada reino, ou ao respectivo pretendente ao trono, torna um
episódio de pouco menos de uma hora demasiado curto. Não há espaço
para momentos mortos, o que faz o tempo passar demasiado rápido e
aumentar a ânsia pelo próximo episódio, para percebermos o que vai
realmente acontecer em cada uma das situações.
A família Stark e Lannister divide com Jon Snow e Daenerys, os
grandes momentos da série, salientando Eddard Stark, o Lord de
Winterfell e o braço direito do Rei antes da sua morte,
(personificado por Sean Bean, que já nos habituou a papeis épicos
depois de "Senhor dos Anéis"), Tyrion Lannister (Peter Dinklage,
cuja interpretação já lhe valeu um Emmy), o comic relief da série,
que cresce de importância de episódio a episódio e finalmente
Daenerys (a estonteante Emilia Clarke), que, pouco a pouco, carrega
sozinha um novo fio condutor em toda a série.
Há um senão, no meio de tanta coisa boa… mas só para os mais
susceptíveis. As cenas de violência são bastante explícitas, e
temas delicados como o incesto estão presentes sem tabus, tal e
qual como Martin nos descreve nos livros e como a HBO nos habituou
com as suas restantes séries.
É também por causa dessa fidelidade em todos os pormenores que
podemos discutir com aquele amigo que diz "que o livro é sempre
melhor", sem que nos aponte falhas. Isto porque ele próprio sabe
que seria impossível uma melhor adaptação.
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