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História da Cerveja

História da Cerveja

Os primeiros registos de uma bebida alcoólica feita a partir de cereais fermentados datam das civilizações Suméria e Assíria, há cerca de 10 mil anos, podendo ser considerada uma das mais antigas criações do Homem.
Nas antigas civilizações da Babilónia e do Egipto, onde existem testemunhos de uma indústria cervejeira florescente, a cerveja era oferecida aos deuses e era consumida por reis em festas importantes.

Os egípcios atribuíam-lhe efeitos terapêuticos e as mulheres das classes altas utilizavam-na para fins cosméticos - para tornar a pele mais fresca e suave e tratar problemas de pele. Foi também por volta desta altura que foi criado, na Babilónia, o primeiro código que disciplina a venda de cerveja: o Código de Hammurabi, um dos textos mais antigos da Humanidade, que regulava uma ração diária de cerveja para os trabalhadores e suas famílias.
Foi também no Egipto que foi descoberta por arqueólogos a cervejaria mais antiga, datada de 5.400 a.C. Esta fábrica produziria vários tipos de cerveja, a qual apresentava características muito diferentes da bebida que hoje conhecemos: era mais escura e forte.
A partir de 1.000 d.C. a cerveja começa a generalizar-se, sendo bebida pelos povos Celtas, Germanos e Escandinavos.

A título de curiosidade, foi recentemente anunciado que ao fim de 6 anos de investigação, uma equipa de investigadores portugueses, americanos e argentinos descobriu que o antepassado selvagem da levedura da cerveja lager ainda vive nas florestas da Patagónia. Portanto, no século XV, quando os europeus começaram a transportar pessoas e mercadorias de um lado para o outro, através do Atlântico, uma espécie de levedura da América do Sul viajou milhares de quilómetros, quem sabe se num pedaço de madeira ou no estômago de uma mosca-da-fruta, e acabou por ir parar às caves e mosteiros da Europa Central. Ao fundir-se com a levedura até aí usada, numa feliz coincidência que muitos agradecem hoje, deu origem a um híbrido, que permitiu a fermentação da cerveja a temperaturas baixas - a cerveja Lager.

Foi então por isto que durante a Idade Média, a produção de cerveja em maior escala começa a ser difundida na Europa por mosteiros da Suíça e da Alemanha, apresentando-se agora com novas características, resultantes da adição de ervas amargas e aromáticas, raízes, flores e frutas silvestres. Por volta de 1.070 d.C. acrescenta-se ainda lúpulo.

Inicialmente de produção doméstica, a cerveja passa a ser produzida por artesãos especializados no século VII, o que se manteria até ao século XII, quando se dá a expansão da produção de cerveja na Europa, com o aparecimento de pequenas fábricas de cerveja, surgindo então as primeiras Confrarias da Cerveja.
No século XVI, Guilherme IV da Baviera decreta a Lei da Pureza, a qual determinou os ingredientes que podiam ser utilizados na produção de cerveja: cevada, lúpulo, malte e água.

A partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, a produção começa a fazer-se em grande escala e o consumo expande-se. Um século mais tarde, as descobertas de Louis Pasteur permitem aperfeiçoar o processo de produção de cerveja - o uso da pasteurização permite dar à cerveja maior durabilidade, tornando possível o transporte a grande distância. Com a descoberta do processo de fermentação baixa, no século XIX, a cerveja tornou-se mais clara, suave e duradoura.

Foi neste século que o fabrico de cerveja recebeu um maior impulso, em parte graças ao trabalho do Professor Emil Hansen, que conseguiu resolver o problema do isolamento das leveduras responsáveis pela fermentação, a que juntaria mais tarde o contributo dos aparelhos frigoríficos, que permitiram manter os tanques de fermentação e as caves de guarda a temperaturas baixas durante todo o ano.
Com a evolução da tecnologia observou-se uma modernização das técnicas e procedimentos, sendo que o cervejeiro moderno é um engenheiro que conta com todos os recursos técnicos e sanitários para a elaboração de um produto perfeito.

Em Portugal, existem registos de consumo de cerveja desde o século XVII, época de que data um "Pátio da Cerveja" em Lisboa, na antiga Freguesia da Conceição Nova. No início do século XIX existiam já sete fábricas de cerveja e bebidas gasosas na cidade do Porto, a que se juntaria, em 1834, a Fábrica da Cerveja da Trindade, em Lisboa, no espaço atualmente ocupado pelas Cervejaria da Trindade, à qual se seguiriam muitas outras unidades de produção de cerveja.

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